A CONEXÃO DA MÚSICA EM PIRENÓPOLIS E AS NOVAS GERAÇÕES [#VIU34]

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Por TATIANE DI PASSOS
Situada no Planalto Central brasileiro, Pirenópolis abrange áreas montanhosas, cercadas de Cerrado nativo, com cachoeiras e uma beleza exuberante. A cidade com quase 300 anos é considerada berço da cultura goiana, entre dramaturgia, literatura, artes plásticas, artesanato… Destaque para a música. A cidade tem um grande acervo musical, o que permite, nos tempos de hoje, vivenciar as missas cantadas, as novenas e os primeiros registros musicais, datados de 1800. Os portugueses fazem parte da ocupação da cidade, como também a cultura dos negros, africanos que ajudaram na construção de Pirenópolis, contribuíram com trabalho e influenciaram com seus costumes, tradições e talentos. Esta influência persiste até os dias de hoje, razão pela qual a cidade é um celeiro de músicos importantes, que fazem parte de renomadas orquestras.
Tonico do Padre, Dona Ita & Alaor, José Joaquim do Nascimento… Estes são alguns dos grandes nomes da lista de compositores pirenopolinos conhecidos na história da música do estado de Goiás. A participação das famílias da cidade foi fundamental nos momentos de apreciação musical, seja no cantar, ouvir, tocar e preservar essa herança que se mantém viva há mais de 200 anos. Não há como participar das festividades da cidade sem ouvir a emblemática Escola e Banda de Música Phoenix, a referência e o início de muitos no universo musical.a conexao da musica em pirenopolis e as novas geracoes viu 34 (8)
Mley Nascimento, que desde pequeno sempre foi muito interessado pela cultura e tradições da cidade, é neto de um dos ícones, o Maestro José Joaquim Nascimento, que por tempos foi um dos principais maestros da banda. Mley foi aluno da escola, começou pelo trompete e logo passou a estudar a clarineta. “Foram maravilhosos os primeiros contatos. Para poder tocar na Phoenix tem que ser aluno da escola, estudar os métodos… Depois de um certo tempo você está apto para começar a tocar as partituras da banda, os redobrados que tocam na Festa do Divino. Como eu não tinha muita afinidade com o trompete, demorei muito a entrar na banda, mas depois que peguei a clarineta para aprender, foi um salto. Comecei tocando surdo, que é um instrumento em forma de uma caixa menor”, afirma o musicista, hoje estudante de Licenciatura do Ensino da Música da Universidade de Brasília (UnB).
Durante toda essa trajetória antes de ir para Brasília, Mley chegou a ser professor da banda, ministrando aulas de flauta doce, trompete e clarineta para crianças, além de ter sido arquivista da banda. Mley tem um artigo da música de Pirenópolis no século XIX, que foi um levantamento dos registros musicais. Passou em primeiro lugar no vestibular, e hoje já está no sétimo período da licenciatura; ao mesmo tempo cursa bacharelado em clarineta. “Hoje vejo que preciso inovar a Banda Phoenix, valorizar os professores, até hoje sem um espaço adequado; é uma banda com mais de cem anos, e apesar de ter um espaço próprio, infelizmente não é apropriado para receber os ouvintes. O papel da Phoenix em Pirenópolis é fundamental. Acredito que as autoridades precisam olhar mais para a banda, pois é o único patrimônio vivo de Pirenópolis. A gente não tem mais a igreja original, pois pegou fogo. A banda está de pé, mas precisa de ajuda; é mais que banda, é uma escola”, pontua Mley, que neste ano de 2018 viveu um marco em sua vida: a oportunidade de solar um dos concertos mais importantes para clarineta, de Mozart, acompanhado da Orquestra W3 Filarmônica, na igreja Nossa Senhora do Rosário, prestigiado pelo seu avô, o Maestro Joaquim Nascimento, na plateia.
Outro grande exemplo é o senhor Emílio Gomes, que desde pequeno gostava de música, e depois dos sessenta anos resolveu comprar um violão e começou a aprender. Na Rádio Comunitária, apresentou músicas, e cresceu então a vontade de conhecer a teoria musical. “Na sede da Banda Phoenix, aprendi um pouco, estudando sozinho, e vi um professor tocando flauta, instrumento melódico, suave, fácil de portar, pode até carregar no bolso. Hoje, com 75 anos, o que eu aprendi foi na Banda Phoenix. Eu gosto de escrever as letras das músicas, entrei neste mundo por amor. Hoje posso dizer que toco flauta, e o violino estou aprendendo”, conta.

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Fotógrafo, redator e designer, escreve para o portal VIU Magazine e é produtor da revista 'VIU?'. @MaxMullerMM

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