Caco Ciocler, diretor, ator e ativista

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ELE É ATOR, DIRETOR E ESCRITOR

Com um currículo recheado de belas histórias, Caco Ciocler é também um homem preocupado com o futuro das novas gerações.

Atual em defesa dos oceanos e está na briga para que projetos de leis que podem aftera a saúde da população sejam rejeitados, a exemplo do PL DO VENENO.

Na TV Globo há mais de 20 anos, ele está na 19ª novela, Segundo Sol, de João Emanuel Carneiro, na pele de Edgar. Já atuou em seis minisséries, 30 filmes e 21 peças teatrais, além de participar de Deus Salve o Rei e O Carcereiro e protagonizar a segunda temporada da série Unidade Básica, do Universal Channel.

Em 2017, estreou como romancista, com o livro Zeide: A Travessia de um Judeu entre Nações e Gerações.

Namorado da atriz Luísa Micheletti, Caco é pai de Bruno Ciocler, de 21 anos, fruto de seu relacionamento com a atriz Lavínia Lorenzon, com quem foi casado, e é avô da bebê Elis, nascida em maio deste ano.

Entrevista #revistaviu

caco ciocler netaEla acabou de completar um mês de vida; ainda não sei se consigo responder a essa pergunta com toda a profundidade que ela merecia. Confesso que foi novo na hora do banho, de ajudar a trocar a fralda, porque minha única experiência tinha sido com meu filho, homem, mas nada que a gente não aprenda na hora. Ela tem uma alma doce, muito feminina, é impressionante. Estou completamente apaixonado.

Em seu currículo há quase 20 novelas e outras inúmeras atuações. Como avalia a audiência do telespectador de hoje, que vive na internet e é adepto da nova onda da programação streaming?

Essa é uma questão complexa. A percepção mudou muito; a velocidade de apreensão e elaboração das informações está assustadoramente rápida. Então sinto muita diferença nos ritmos, nos tempos, nas velocidades.

As pessoas estão muito pouco tolerantes aos silêncios, às pausas, à poesia. Isso me preocupa, porque estamos desenvolvendo uma espécie de vício de preenchimento, uma fobia dos vazios, que é justamente onde mora a arte, o sublime.

Assisto a uma espécie de correria desenfreada na produção audiovisual, que já começa a afetar o teatro também, pelo preenchimento. O preenchimento como objetivo último. E com as respostas nas redes, imediatas, vira uma corrida para tentar morder o próprio rabo.

O objetivo se fecha em si mesmo, não é mais a arte e sim agradar e ser aceito. É a eliminação do outro, do diferente, que infelizmente já havia tomado conta das redes sociais, invadindo agora o terreno da poesia.

Você lançou Zeide: A Travessia de um Judeu entre Nações e Gerações, no qual fala muito de seu avô, das gerações da família. Como foi essa experiência no campo da literatura? Pensa em escrever outro livro?

livro caco ciocler revista viuEssa aventura literária surgiu de um convite da editora Planeta. Fazia parte de um projeto no qual convidariam não autores descendentes de imigrantes para escreverem uma ficção sobre filhos de imigrantes vivendo no Brasil. Então reuni fragmentos de histórias lembradas por minha família e criei uma ficção sobre quatro gerações de filhos que se tornaram pais e depois avós. Foi uma experiência maravilhosa, onde pude descobrir e aprimorar um estilo literário que eu nem sabia que tinha.

Mas foi muito desgastante também. Ingênuo, achei que pudesse escrever um livro nos intervalos das gravações e dos ensaios das peças, e estava redondamente enganado.

Quando o prazo de entrega começou a apertar, tive que virar noites em claro e quase fui parar num hospital.

Então tenho muita vontade sim de escrever outro – a recepção de ZEIDE foi muito calorosa e eu adorei a experiência -, mas só vou me meter a fazer isso se conseguir criar um espaço na agenda para me dedicar só ao livro e, de preferência, escrever no mato, longe de casa.

Você tem atuado para alertar quanto à importância da preservação do meio ambiente, preocupação que deveria ser de todos. Fale um pouco sobre essa questão. E você acredita que há solução para livrar os mares, por exemplo, da imensa quantidade de lixo que recebem?

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Eu acho que a geração do meu filho, e provavelmente da minha neta, vai passar por muitas provações nesse sentido.

Vão pagar um preço caro pelas besteiras que nós fizemos e continuamos fazendo. Por outro lado é uma geração muito mais antenada para as questões ambientais do que foi a nossa.

Muito mais consciente. Meu filho, por exemplo, escolheu ser agricultor; vai plantar café orgânico, quer criar uma agrofloresta. Tem uma garotada muito boa que já está querendo viver com outra lógica, que não essa nossa, exploratória e inconsequente.

Acredito muito na tecnologia também, que ela possa resolver muitas coisas nesse sentido.

Não acho difícil que alguém desenvolva um microorganismo que se alimente de plástico, por exemplo. Resta saber se teremos, ou melhor, se as novas gerações terão tempo suficiente para corrigir nossas vergonhosas práticas, que estão tornando nosso mundo inabitável.

Mas, por mais confiança que tenha nas gerações vindouras, não posso me eximir da responsabilidade de tentar reverter o quanto puder desse quadro desastroso que criamos, o quanto antes, por amor a meu filho e à humanidade. Por isso venho atuando nesse sentido

O Brasil é o país que mais consome agrotóxico no mundo, e você também tem atuado para alertar a população para os riscos do PL 6299/2002, “PL do Veneno”. Fale um pouco sobre as consequências, caso esse PL seja aprovado, e como a população tem de agir para evitar mais veneno na mesa.

A principal consequência é que muito provavelmente os alimentos de origem agrícola chegariam à mesa dos brasileiros com agrotóxicos muito mais poderosos e prejudiciais à saúde do que os que já contaminam nossa comida.

A justificativa deles é de que no Brasil leva-se oito anos em média para uma nova substância pesticida ser aprovada pelos diferentes órgãos fiscalizadores e que, flexibilizando esse controle, substâncias mais modernas, eficientes e sem risco à saúde poderiam substituir rapidamente os agrotóxicos ultrapassados. Ora, se fôssemos um país governado e fiscalizado por pessoas sérias poderíamos até engolir essa balela.

Mas todos sabemos que na verdade esses deputados defendem interesses de gente muito poderosa, que está interessada em seus lucros, e não na saúde pública. Todos sabemos que eles querem esse “afrouxamento” no controle porque vão autorizar o uso de substâncias cancerígenas já proibidas na maioria dos países.

Se hoje comunidades agrícolas inteiras apresentam contaminação no sangue e urina e suas crianças apresentam má formação e até desequilíbrio hormonal por conta da exposição a agrotóxicos pulverizados por avião – porque não usam roupa adequada, porque ninguém controla isso ou se preocupa com sua saúde -, é de fazer rir que as intenções por trás desse pedido sejam boas.

Como é possível que os cientistas estejam errados e os deputados certos? Será possível que a Anvisa, a Fiocruz, o Ministério Público, o Ministério da Saúde, o Instituto Nacional do Câncer, mais de 300 entidades da sociedade civil que se posicionaram rigorosamente contra o PL estejam todos errados e os nobres deputados estejam certos?

A mim, parece claro que eles estão defendendo interesses próprios ou de quem os financia, dessa bancada ruralista, que tem maioria no congresso e que sempre se aproveita de momentos de fragilidade de governos impopulares para tentar emplacar absurdos como esse, usando a lei e projetos de lei impopulares como moeda de troca.

Isso, infelizmente, é uma prática comum, não é privilégio desse governo atual. Enquanto os principais países estão caminhando na direção do aumento da rigorosidade no controle à aprovação de agrotóxicos, na direção de uma agricultura com o mínimo de química possível, na pesquisa por alternativas “verdes” para o controle de pragas, nossos governantes querem que caminhemos na direção diametralmente oposta.

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Por DIDA BRASIL

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Sobre o Autor /


Fotógrafo, redator e designer, escreve para o portal VIU Magazine e é produtor da revista 'VIU?'. @MaxMullerMM

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