Lagolândia em festa

IMG_0075

A força da religiosidade e a distribuição de doces que fecundam a manifestação simbólica da manifestação

   Por Romero Ribeiro

Fotos Tatiane Di Passos                                                                                                                

IMG_0533 (1)

A mineração, bem como a agricultura tradicional condicionaram maneiras diversificadas de formação populacional em Goiás, a partir da colonização. Por conta daquelas relações econômicas primárias e rudimentares, embriões de cidades foram brotando no meio rural goiano, ainda bem pouco ocupado, embora visitado constantemente por povos de ‘fora’, sobretudo viajantes europeus interessados nas nossas faunas e floras exuberantes de então. Inicialmente, aquelas pequenas aglomerações – depois transformadas em povoados, vilas e cidades – surgem em terras de fazendeiros que, com o intuito de agradar um santo padroeiro, oferecia à igreja lotes e proporções maiores de terras que posteriormente passariam a pertencer à Paróquia. E a igreja, que sempre disputava fiéis e palmos de terras para confirmação de seu poderio político e religioso, sempre vislumbrava um horizonte maior de adeptos ao catolicismo popular. Por conta disso, as Leis de Terras (1850) transfeririam do estado para os proprietários e também para a igreja (Registro Paroquial) a responsabilidade de registrar as terras que possuíam, fato que fez a instituição religiosa parecer regulamentadora das terras em todo o Brasil. Muitas fazendas foram se desmembrando com o passar dos tempos e recebendo outras denominações. Um desses exemplos também pode ser o caso do Distrito de Lagolândia (ligada politicamente a Pirenópolis), distante 37 km de Pirenópolis – GO. Naquele distrito, desde o início do século XX, acontece a tradicional festa do Divino Pai Eterno no qual se juntam os festejos de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. O doce é o protagonista principal do evento festivo religioso. Segundo a historiografia goiana, a festa do doce tem em Benedita Cipriano Gomes (a Santa Dica), como a grande líder messiânica e fundadora desta festa naquele local. Para a efetivação da festa, que acontece na primeira quinzena do mês de julho, sobretudo na feitura e distribuição dos doces, há um envolvimento e importância cultural, simbólica e ativa da comunidade local. São feitos e distribuídos enormes variedades de doces: doce de laranja, pau de mamão, batata, abóbora, figo, queijo, doce de leite e mamão. O doce é servido após a missa (no último dia dos festejos), onde ocorre o sorteio para imperador, rei e rainha do próximo ano festivo. Para tanto, o imperador recebe ajuda do prefeito (nesse caso, de Pirenópolis) e doações feitas pelos moradores e fazendeiros da região. O processo de preparo dos doces é iniciado trinta dias antes do acontecer da festa, pelas pessoas da própria comunidade local e outros voluntários que sempre se oferecem para que a manifestação aconteça com êxito. Segundo a tradição, a distribuição dos doces está relacionada ao fato de que, conforme a crença, na salvação lá no céu vai haver ‘doçura’.

Sendo assim, os doces dão uma maior repercussão espetacular à festa. E mais: eles – os doces – simbolizam uma festa dentro da festa e fecundam a importância religiosa e cultural para a comunidade local de Lagolândia que criaram vivenciam a festa, mesmo antes de ela vir acontecer.

Então! Bora festejar em Lagolândia? E de quebra, degustar das delícias dos doces de lá?

A festa acontece esse fim de semana, de 19 a 21 de julho. Imperdível!

IMG_1370 (1)

IMG_0598

Comentários

Sobre o Autor /


Assine nossa Newsletter

Receba informações sobre a #RevistaVIU e fique por dentro das principais novidades.
Fundada em 2010 pela Alquimia Editora e Comunicação, A REVISTA VIU? atuante nos segmentos de moda, beleza, saúde, gastronomia, arquitetura, qualidade de vida, entrevista, roteiros, turismo, negócios e tecnologia vem se despontando como um grande canal de comunicação entre o público A, B e C+ atua no Planalto Central, Brasília, Pirenópolis, Anápolis, Posse, Formosa, Chapada dos Veadeiros, Alto Paraiso, Vila de São Jorge, Teresina de Goiás, Cavalcante e Goiânia.

Av. Valeriano de Castro, n° 119, Sala 01 - Galeria Santo Estevão

(61) 99676 3908

revistaviu@gmail.com