Expedição ao Rio Extrema e exploração da Cachoeira do Label!

Por Ion David.

Estava com um grande amigo canionista hospedado em minha casa, Guilherme Predebom, e tínhamos em mente fazer a conquista de um novo cânion. Conversando com o parceiro de trabalho Marcelo Nissen, decidimos por explorar o Rio Extrema, o qual tínhamos notícia de que tinha uma cachoeira com 120 m, conhecida como Cachoeira do Label.

Preparamos a expedição, e no dia 9 de setembro saímos às 5 h da manhã em direção a São João D’Aliança, percorrendo estradas de acesso até o local onde o veículo nos deixou.

Éramos uma equipe composta por cinco experientes canionistas: Marcello Nissen, Júlio, Gabriel, Guilherme e eu. Iniciamos a caminhada utilizando algumas coordenadas predefinidas no GPS e chegamos à primeira cachoeira, conhecida localmente como Andorinhas. Uma bela queda com aproximadamente 100 m de altura em dois lances.

Logo de início fizemos uma ancoragem natural em uma árvore e descemos por enormes raízes em meio ao cânion. No final da descida – feita um a um, numa imensa e íngreme rampa escorregadia – todos estavam em meio ao cânion.
Corda recolhida, seguimos para o segundo lance, descendo pela lateral da rampa até uma frondosa árvore onde fizemos mais uma ancoragem natural para outro rapel de 50 m.

Após os dois lances da Andorinhas, caminhamos por quase duas horas seguindo o curso do rio, atravessando belas piscinas translúcidas de água verde, e chegamos no alto da grande cachoeira, com incríveis vistas para o Vale do Paranã.

Estudamos os dois lados para decidir a melhor via, que possibilitasse paradas para fracionamentos no meio da descida. Comentamos que a cachoeira podia ter mais de 120 m, mas não tínhamos referências precisas. Estávamos equipados com duas cordas de 100, uma corda de 60 e outra de 20 metros, furadeira a bateria e muitos parabolts, chapas de ancoragens e material de abandono.

Paramos para lanchar e discutir a estratégia. Estávamos ansiosos, e considerávamos também a possibilidade de abortar a descida e procurar uma via de escape. Decidimos descer pela margem direita do rio, pois a outra margem era uma grande parede negativa. Fizemos a ancoragem inicial, que dava acesso à saída do primeiro rapel, uma ancoragem equalizada com chapas e parabolts. Guilherme desceu na frente com a furadeira à procura de um local para fazer a parada, que ficou 70 m abaixo.

Comunicando pelo rádio, Guilherme comentou que achava que a próxima descida tinha mais de 100 m e que seria bom medir antes de todos descerem. Para medir a segunda descida iríamos perder muito tempo, pois a corda de 100 m teria que ser baixada e depois içada para recolher o sistema.

Lá de cima, a impressão era que abaixo do Guilherme tinha uns 60 m, e que com as cordas de 60 conseguiríamos descer simultaneamente para ganhar tempo. Guilherme montou a ancoragem dupla equalizada na parada e desci em seguida. Pedi para o próximo trazer a corda de 60 m, para já armar o rapel seguinte.

Chegando na parada, comentei com o Guilherme: “Cara… isso aqui tem mais de 100 m ainda!”. Ficamos tentando lembrar de outras referências de grandes alturas, como o Salto do Rio Preto. Realmente a corda de 60 m não deu; tivemos ter que esperar todos chegarem para recolher a corda de 100 m e usá-la novamente no lance seguinte.

O problema é que abaixo havia uma parede negativa, e não conseguíamos ver se havia outro platô para uma parada. Caso contrário, teríamos que emendar cordas e pular o nó, procedimento conhecido por todos, mas estava ficando tarde e demoraríamos bastante até que todos o fizessem.

Não tínhamos outra saída a não ser correr o risco e descer pela corda de 100 m a procura de outro platô. Caso não fosse possível, faríamos o nó de emenda de cordas. Por grande sorte nossa, justo no fim da corda de 100 m havia outro pequeno platô escorregadio, mesmo que para acessá-lo fosse necessário pendular.

Feita a última ancoragem nesse platô, havia ainda mais uma descida de 15 m no grande poço de água extremamente gelada da cachoeira. Como o platô era pequeno, e pela angulação das cordas seria difícil caberem todos para puxar as cordas de 100 m, decidimos emendar a corda de 60 para atravessar o poço e puxar do outro lado, restando apenas a corda de 20 m para descer o último lance. Para recolher, tivemos que emendar fitas e cordeletes.

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Ufa!… Todos embaixo! Com uma sensação de euforia e missão cumprida, descobrimos a maior cachoeira de Goiás, com 185 m. A Cachoeira do Label se mostrou como um cânion técnico, exigindo conhecimento de orientação, navegação e técnicas avançadas de canionismo.

Finalizado o trabalho de cordas, tiramos os equipamentos e roupas de neoprene, vestimos as roupas secas e iniciamos a caminhada de uma hora até o local de apoio, onde o carro nos aguardava, na sede da Reserva Belatrix.

Havia uma deliciosa comida preparada pelos caseiros para recarregar as baterias antes da viagem de volta, carregados das boas lembranças de mais essa aventura desbravadora.

Quer assistir a um trecho dessa aventura? Acesse o vídeo:

 

 

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Sobre o Autor /


Fotógrafo, redator e designer, escreve para o portal VIU Magazine e é produtor da revista 'VIU?'. @MaxMullerMM

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