Kennedy Alencar, A política como ela é…

Jornalista do SBT Brasil e comentarista da CBN nacional fala sobre o atual momento histórico vivido pelo Brasil.

Por Dida Brasil

Um dos jornalistas mais respeitados do Brasil, Kennedy Alencar, apresenta em sua extensa bagagem profissional, coberturas como as das Guerras do Kosovo (1999) e Afeganistão (2001), entrevistas a personalidades conhecidas mundialmente e análises pontuais sobre os rumos políticos e econômicos do Brasil. Iniciou sua carreira no jornal Folha de São Paulo e nos últimos anos passou a trabalhar na internet, com o Blog do Kennedy, na Rádio CBN nacional e no SBT Brasil. Em Brasília, acompanha de perto todas as decisões políticas e traça panoramas bem definidos sobre o que ocorre dentro e fora dos bastidores do poder. Em meio a agenda atribulada, Kennedy parou um pouquinho para atender a Viu? e concedeu entrevista exclusiva onde falou sobre os acontecimentos que estão mudando os rumos do país e sobre sua profissão em época de globalização. Acompanhe a íntegra da conversa.

VIU? – Kennedy, você atua na apuração de notícias, analisa temas ligados à Economia e, principalmente, sobre a Política há anos. Como avalia o governo petista, a partir da saída de Lula e entrada de Dilma?

KA – Dilma não soube liderar um projeto que estava indo bem, apesar da necessidade de uma correção de rumos ser evidente na economia. A primeira fase do governo Lula, entre 2003 e 2008, plantou a semente do sucesso de Lula. Houve responsabilidade fiscal, o que abriu espaço no orçamento para políticas públicas a fim de atender aos mais pobres. Com a crise de 2007/2008, houve uma inflexão na política econômica, com aumento de gastos para enfrentar a turbulência externa. Foi um movimento correto, mas que deveria ter sido temporário. Dilma, no poder, esticou e aprofundou essa intervenção do Estado na economia. Ela recebeu um país com inflação sob controle, juros em queda, base de apoio no Congresso maior do que a de Lula e políticas sociais em ritmo ascendente. Deixou o poder com retrocesso na economia, na política e na área social. Além do desastre administrativo, o governo dela foi uma oportunidade perdida.

VIU? – O Brasil vive um momento único no combate à corrupção e o povo já definiu a operação Lava Jato como patrimônio. Em sua opinião, as investigações correm riscos de extinção?

KA – Creio que não. A Lava Jato ganhou uma dinâmica própria que impede qualquer tentativa de abafamento ou de extinção antes das investigações necessárias. Apesar de excessos aqui e acolá, tem trazido ganhos para o país. É um marco no combate à corrupção. Tem impacto econômico imediato sobre o emprego e empresas. Mas pode legar companhias mais responsáveis no futuro. Também pode deixar como herança uma classe política que governe melhor e menos corrupta em geral. No entanto, não pode deixar em segundo plano o direito de defesa. Nos últimos dias, houve revelações sobre a vida nababesca de delatores. É preciso que todos os corruptos, ainda que colaboradores, devolvam todo o dinheiro que roubaram.

VIU? – O que representa para a política brasileira o Procurador Geral da Republica solicitar ao STF a prisão de Renan, Cunha e Sarney? Era esperado que o Supremo negasse?

KA – Representa a mudança dos tempos. Hoje, poderosos que escapavam da Justiça estão respondendo por seus eventuais crimes. O ministro Teori Zavascki não absolveu Renan, Sarney e Jucá. Apenas não viu motivo para prisão, o que demandaria flagrante.

VIU? – Após tantos escândalos na política e desacertos cometidos no governo da presidente Dilma Rousseff, j se pode concluir que com o governo interino de Michel Temer o povo respira mais aliviado, com um pouco mais de expectativa para um futuro melhor?

KA – Do ponto de vista econômico, Temer está indo melhor do que Dilma. A equipe econômica dele é respeitada e foi bem aceita pelo mercado, pelo empresariado e pela opinião pública. No entanto, houve um cálculo político para aumentar o deficit público deste ano a fim de acomodar despesas. Isso traz risco fiscal. Em relação à política, cometeu erros, como montar um ministério com integrantes que já caíram por causa de acusações de corrupção. Mas, politicamente, a estratégia é ter apoio no Congresso para aprovar medidas duras. Até agora vem dando mais certo do que errado.

VIU? – O que seria necessário para a Economia voltar a engrenar? Você acredita que com a nova equipe econômica o nível de credibilidade do país aumente, inflação diminua e o povo possa viver mais tranquilamente?

KA – Acho que a economia está voltando a engrenar. Há uma melhora das expectativas com a chegada de Henrique Meirelles e companhia à área econômica. Recuperar a credibilidade fiscal do Brasil é o requisito fundamental para o país voltar a melhorar. Isso está sendo feito. Se o impeachment for aprovado em definitivo no final de agosto, como é a tendência, deverá haver uma melhora das expectativas. A possibilidade de retorno de Dilma ainda assusta investidores nacionais e estrangeiros. Mesmo que Dilma volte, o que hoje parece improvável, haverá um grau menor de incerteza.

VIU? – A impressão que o brasileiro tem, a cada delação premiada, é a de que todos os políticos estão envolvidos em corrupção. Que momento é este que nós brasileiros estamos vivenciando?

KA – Um momento histórico fascinante. É preciso combater a corrupção, mas sem deixar que a intolerância no debate público seja um legado da atual crise e sempre respeitando o sagrado direito de defesa. A criminalização da política é ruim. Devemos ter cuidado com isso, no que pese o esgotamento do modelo criado eleitoral e de financiamento pela atual classe política.

VIU? – E a pergunta que não quer calar: Quem vai sobrar?

KA – Difícil responder. Creio que a classe política como um todo será atingida _algumas personalidades em maior grau. Será preciso ver como os acusados responderão às acusações e se terão respostas convincentes. Hoje, nomes de todos os grandes partidos devem explicações.

VIU? – Kennedy, você é Minas Gerais, morou em São Paulo e hoje esta em Brasília. Fez trabalhos importantes ao longo de sua carreira, é reconhecido e admirado pelas ponderações e visão panorâmica do que ocorre no Brasil. Como se sente em relação à sua profissão hoje? Há algum projeto que ainda deseja realizar?

KA – Gosto muito de ser jornalista. Sou feliz no trabalho. É uma profissão que está sofrendo transformações. Um projeto a realizar é continuar a fazer reportagens e análises com equilíbrio. Acho importante buscar o equilíbrio e a ponderação no jornalismo. Não cabe à imprensa tocar fogo no circo, mas cobrir com criticidade e imparcialidade o poder político e econômico. É o que tento fazer e quero continuar tentando nessa linha.

VIU? – Como é viver na Capital Federal? Família? O trabalho? Como surgiu a ideia de criar o Blog do Kennedy e como você o alimenta? Equipe de trabalho?

KA – Para um jornalista que faz a cobertura da economia e da política, Brasília é uma local privilegiado para trabalhar. Gosto da qualidade de vida na capital federal. A ideia do blog era algo que eu queria implementar fazia bastante tempo, mas ganhou força em 2012 e saiu em 2013. A equipe é enxuta, porque apuro diretamente, além de analisar e opinar. Tenho uma pessoa que trabalha comigo, cuidando da parte comercial do blog e administrativa, que é a Daniela Martins trabalha. Ela também escreve muito bem sobre cultura em geral e literatura em particular, com resenhas ótimas sobre exposições e livros.

VIU? – Você acredita que hoje o profissional tem de ser multi? Realizar várias tarefas ao mesmo tempo é característica desse novo tempo, o da globalização?

KA – Ser multimídia é uma característica que se torna cada vez mais necessária. É um efeito da internet, que está se transformando na principal plataforma do jornalismo. Há uma crise do modelo de financiamento da imprensa tradicional. A profissão de jornalista está em transformação, num certo transe que parece assustador e promissor ao mesmo tempo. Há sempre novos caminhos que se abrem.

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