Mulheres policiais: por que ainda há tantos estigmas nesse universo?

Quantas mulheres desejam ingressar na carreira policial, mas não o fazem por receio do ambiente predominantemente masculino?

Na luta pelo seu espaço, centenas de mulheres se superam diariamente, ao atuarem em um universo majoritariamente masculino.

As mulheres policiais vêm conseguindo quebrar tabus, enfrentando preconceitos e exercendo o seu ofício com maestria. Desde a decisão de se tornar uma funcionária pública até o seu dia a dia, elas fazem valer a sua escolha e não temem a olhares ou julgamentos descabidos.

A luta das mulheres neste universo predominantemente masculino teve início, oficialmente, em 12 de maio de 1955, quando, por meio do Decreto nº 24.548, o Governo de São Paulo instituiu o primeiro grupamento policial feminino da América Latina. Naquele ano, elas ficaram conhecidas como “as 13 mais corajosas”. A ousadia delas em resistir à desconfiança de setores da sociedade e ao preconceito inspirou outras mulheres por todo o país que, aos poucos, foram sendo incorporadas às forças de segurança pública.

Avançando sempre, em 1974, Ivanete Oliveira Velloso tornou-se a primeira mulher aprovada em concurso da Polícia Civil de São Paulo e, em seguida, empossada no cargo de delegada. Entretanto, mesmo após décadas da inserção delas aos quadros da polícia, ainda é difícil ocupar seu espaço em instituição predominantemente masculina, principalmente sendo delegada.

Preconceito com a Mulher Delegada

Enfrentar o preconceito ainda é uma constante na polícia. As mulheres ainda precisam mostrar suas capacidades em dobro, já que estão sempre sendo colocadas sob dúvida, e a forma de mostrar seu valor é por meio de um trabalho qualificado.

Vale dizer que o objetivo disso tudo não é provar algo para os homens, mas provar para si mesma o seu valor. Valorizar-se enquanto profissional e não se deixar abater.

No podcast POD DELAS, transmitido pelo canal do You Tube, a delegada Luana Davico falou sobre a luta enfrentada pelas profissionais que lidam diariamente com essas questões. Ela mesma passa por isso, rotineiramente. Durante o programa, ela  afirmou que ouviu (e ainda ouve) por diversas vezes frases como: “mas você é delegada?” “Não tem cara e jeito de polícia!” “Não é polícia”!

A delegada disse que é muito comum que as pessoas tenham uma imagem de uma mulher masculinizada, dura, combatente, truculenta, etc.

Mesmo com os estereótipos rondando o imaginário policial, ela não abre mão de sua feminilidade, de sua vaidade – até porque isso nada tem a ver com suas qualificações como delegada, não é o objeto de seu trabalho. Ela complementa: “Não podemos nos adequar a um estereótipo.”

Importante dizer que, para as mulheres, que carregam fardos históricos já conhecidos, como as poucas oportunidades de ocupar espaços masculinos, a obtenção de cargos de liderança, desigualdade salarial e tantos outros problemas, enfrentar o julgamento de outras pessoas gera um incômodo mental, a ponto de ela não se sentir apta a estar exercendo sua função.

Cabe à sociedade como um todo dirimir e acolher aquela que tem plenas condições e aptidão e ajudá-la a combater preconceitos, focando na qualidade de seu serviço para com a população independentemente de sua imagem.

O lugar da mulher é onde ela quiser

Quantas mulheres nós conhecemos que desejam ingressar na carreira policial, mas não o fazem por receio do ambiente predominantemente masculino?

É muito comum ouvir esse discurso nas salas de estudo para concurso público: mulheres que deixam de lado o seu sonho por pensarem não dar conta do universo policial.

Saibam que as mulheres têm um papel extremamente necessário na polícia e que vêm sendo cumprido com exímia nos últimos tempos. Perceba que desistir não é uma opção para quem sonha alto!

Só elas têm sensibilidade, calma e delicadeza para resolver certos problemas, que, às vezes, uma corporação composta apenas por homens não consegue resolver.

Delegadas, como a Luana Davico, vêm para mostrar que a polícia precisa ser ocupada por mais mulheres competentes, unindo esforços ao restante da corporação e tornando o âmbito policial muito mais eficiente.

E mesmo que seja necessário usar a sua força, mulheres têm técnica, equipamentos e plenas condições para auxiliá-la na operação.

O lugar da mulher é onde ela quiser.

Ela não só pode como deve ocupar profissões majoritariamente masculinas e exercer brilhantemente o seu papel.

E quem ganha com tudo isso é a sociedade, com mais heterogeneidade, com profissionais altamente capacitadas, prontas para bem servir.

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